maio 1, 2011

para as mulheres que vem trasformar seus sonhos em fazer artístico

abstrações

agosto 11, 2014

Abstrações

 

A descoberta da fotografia foi o que libertou o artista do seu papel de documentador visual da paisagem, das pessoas e dos fatos que o cercava. A fotografia passa a fazer estes registros com mais rapidez e fidelidade, pois não depende da relação afetiva do artista com o momento ou objeto a ser retratado.

Como em todo o momento de extrema liberdade, aqui também houve um tempo de busca de um novo sentido para o fazer artístico, que resultou na ampliação quase infinita de possibilidades e de valorização de elementos que até então faziam parte da obra como recursos meramente técnicos ou complementares.

Assim, a cor e todas as suas nuances, a materialidade da tinta, ou a linha como consequência do gesto sobre a superfície constroem obras independentes do resultado formal, ou se este nos traz informações descritivas de cenas, paisagens ou modelos vivos.

Soma-se a isto, a ‘descoberta’ do inconsciente e sua relação com a narrativa dos sonhos e a valorização destas imagens vindas do universo interno do artista e transformado em obra através do fazer artístico, independente da linguagem utilizada. Libertam-se assim, de vez, a poesia e o fazer poético.

A relação obra – espectador fica também livre do compromisso com o reconhecimento da realidade física do universo que os cercam, dando passagem ao ‘sentir’ o trabalho.

Nesta exposição optamos por apresentar ‘Abstrações’. Trabalhos para sentir a cor, alinha, o gesto, e viver a possibilidade de voar com imagens que não nos trazem necessariamente memórias visuais, mas que mesmo sem saber como nem porque, batem no olho, no coração, na alma…no fundo.

 

Daisy Viola

 

a pele que se solta

agosto 11, 2014

Pele que se solta
Dor – feminino – religioso – barroco

A imagem da cobra nadando no rio e esfregando o corpo varias vezes na pedra da margem para que a pele se solte.
Afinal o corpo cresceu e aquela roupa não serve mais – edicse – dói.
De repente, papéis brancos, finos, leves, sensíveis, amassados recebem um ‘reforço químico’ de verniz acrílico para que suportem os passos que vem a seguir. Coisas de mulher. Trazem um pouco da bagagem de muitas. São imagens há tempos guardadas, pedaços de vestidos que um dia foram importantes para a amiga, rendas, tules, lantejoulas e rosas de pano vermelhas, tudo elementos que simbolizam a nossa necessidade feminina de, de vez em quando, ‘trocar de pele’, fazer vir à tona a que está por baixo, mais perto do dentro.

O papel enruga, rasga, amassa, reage, não aceita. Recebe mais papel, mais pano, mais imagem, mais tinta, mais vida, mais brilho, dourados, vermelhos, enfim, se solta, como a pele da cobra.
E olho. Arrepio. Está quase barroco, religioso.
A existência é cheia de pedras pelo caminho. Servirão de asperezas a serem esfregadas para que a pele se solte e nos deixe crescer.
A arte, de novo cumpre o seu papel de materializar um universo individual, porém universal.

Papéis – pele

abril 8, 2014

Volto a agir.

Passo com ferro quente sobre papéis que parecem peles.

Que parecem frágeis.

Que receberão mulheres de grafite + pastel oleoso + Tinta acrílica + tecidos + outros papeis.

Bordo com linha prata.

Cascas que se soltam, como das cobras e lagartixas que se recompõem e se refazem, como eu.

Papeis – peles – cascas que vem de longe como embalagem das mulheres – casca, que estão no baile, como eu.

Trazem as marcas destas viagens, como eu.

Que registros marcarão? Não importa. Importante é que aconteçam. Como as rugas que se instalam.

minimulher

abril 8, 2014

minimulher

abril 8, 2014

minimulher

abril 8, 2014

minimulheres

abril 8, 2014

A renda foi presente de uma amiga do coração. Era a toalha de mesa que se rasgou de um casamento que se desfez.

O papel foi feito a mão por pessoas que a vida tratou de desafiar com muitas e muitas dificuldades; e o papel de seda é saído de um mundo criado por um mágico que inventa vidas para as crianças sorrirem. E o tule? Bem ele estava por ali, sobra de outro trabalho.

Como molde, princesas de plástico, destas bem baratas. Desta vez resolvi esquecer as ‘cascas’ e moldar o próprio pano. Ficaram leves, mas fortes, como nós.

Expostas sobre estantes de vidro presas na parede. É como se estivessem no ar. Estão prontas para voar..

panos da vida

julho 4, 2013

PANOS DA VIDA 2013

7 a 11/01/2013

  Os panos da vida escorrem para o fundo do armário com nossas lembranças. De vez em quando os resgatamos de lá na esperança que aquele momento possa ser re – vivido. Ilusão. O tempo já passou. Agora queremos transformá-lo. Um grupo de mulheres se reúne para juntas contar a historia de vida contida em cada pedaço de pano e, a seguir transformá-lo em arte. Quando a mulher levanta a tampa da mala que está sobre a mesa, a vida pula. Cada peça traz consigo uma história inacabada. Aos poucos outros panos vão sendo colocados à mesa; cada um carregando consigo historias, estórias, lembranças. A infância volta na saia azul marinho cheia de pregas e no aventalzinho xadrez vermelho e branco das aulas de pintura do jardim de infância. Traz consigo um AHH!!Eu também tinha! Este estava no fundo do armário da mãe, dentro da mochila do primeiro dia de escola. Memória dela…  e a tua? Pequenos vestidos de organza com fitas e bordados, joias em pano que resistiram à ação do tempo: nosso primeiro aniversario. Mulheres diferentes, histórias parecidas. A mesa é invadida por toalhas bordadas, com rendas e crochês. Todas brancas. Eram da avó. ”Morávamos em torno da mesma praça, mas só nos aproximamos quase na hora de sua morte, fiquei com as toalhas e preciso trazê-las para a minha parede”. Estamos todas tão emocionadas quanto esta neta saudosa do amor que não viveu. Neste momento surge um chambre de pele de pêssego cujo toque passou pela avó, pela tia, pela mãe e agora na mão da mulher – artista. Terá sua estampa de flores recortada criando uma renda vazada. As flores serão aplicadas em uma manta de tule, tecido importante que nos devolve desde o mosquiteiro do berço ao véu do casamento que já deu frutos: mulheres que já tem suas próprias historias e panos. Envolvidas nestes tecidos cheios de alma vivemos uma semana. E, quando fomos nos despedir, percebemos que eles tinham se transformado. A camisola de cetim e renda que precisa permanecer por perto recebeu costuras e bordados onde o tempo estava agindo e machucando, a saia plissada de bela estampa ficou com o avesso cheio de panos dos amores que literalmente precisam ficar tão perto que é quase dentro. A caixa que veio trazendo lembranças que atravessaram a vida teve seus ‘panos’ ligados por um fio de pérolas, garantia de que sua história mesmo depois de contada (pois podemos puxá-la para fora da caixa) continua sendo a sua história. O pequeno avental xadrez resgatado do armário da mãe atravessou o tempo, e acabamos vendo o sutiã que amamentou a filha,  transformado em objeto artístico, assim como a lingerie impecável que fora presente da ex-sogra. O tricô da mãe virou livro, o travesseiro do pai, um bebe, a toalha do altar se transformou em flores que andam agora com algumas de nós. O farelo de pano que no inicio da história foi oferecido para todas as outras, agora está contido por uma suave grade prateada e macia, bem como a mãe, que solta, mas está sempre por perto.A blusa delicada e o veludo vermelho se uniram,um envolveu o outro num envelope que se abre e nos revela que seu bordado permaneceu intacto, e para selar, um laço de fita. Bem, falta a mala de histórias inacabadas… Surpresa!Temos finalmente, uma linda almofada!   E nós?Bem; emocionadas, unidas e agora, amigas..  

Neste momento em que a minha produção artística está “congelada” em função da atividade administrativa do Atelier Livre, a cozinha às vezes me faz reviver o prazer de criar. Foi o que aconteceu neste dia.

Para receber um amigo que não encontrava há muito tempo, e está há dias hospedado num hotel, optei por um cardápio simples e caseiro.

Como meu amigo é Frances, e mora na Bahia há mais de vinte anos, escolhi uma comida com raízes gauchas.

Para começar, uma pasta feita com ricota amassada, azeitonas picadas, alho bem picadinho, nozes picadas e creme de leite. Torradas com um fio de oliva e orégano salpicado, para acompanhar, um Chardonay geladinho.

Feijão preto colocado na panela de pressão com água fervente, uma cebola pequena inteira, um dente de alho também inteiro e meia folha de louro. Cozinho por 10 minutos com a tampa da panela aberta. Fecho a panela e cozinho por quarenta minutos a partir da pressão.Depois só mais uma pequena colher de sal.

A carne, de gado, claro. Panela de pressão outra vez,pois o corte é “de segunda”.Carne cortada em cubos médios.Trituro no liquidificador: 1 cebola grande,três tomates de bom tamanho,um dente de alho.Coloco a mistura sobre a carne e ainda uma lata de cereja preta tipo malzebier.Fecho a panela e cozinho por 20 minutos a partir da pressão.

Para acompanhar, moranga cabotia cozida com casca, o miolo mergulhado sobre uma cama de açúcar para que fique caramelado.

Arroz branco e uma salada de pequenas folhas de miolos de três tipos de alface e tomatinhos cereja.

Para a sobremesa, papaia com Cassi. Bato no liquidificador, sorvete de creme e a polpa de um mamão papaia, depois rego com licor de Cassi.

Para encerrar, um bom gole de café preto.