panos da vida

julho 4, 2013

PANOS DA VIDA 2013

7 a 11/01/2013

  Os panos da vida escorrem para o fundo do armário com nossas lembranças. De vez em quando os resgatamos de lá na esperança que aquele momento possa ser re – vivido. Ilusão. O tempo já passou. Agora queremos transformá-lo. Um grupo de mulheres se reúne para juntas contar a historia de vida contida em cada pedaço de pano e, a seguir transformá-lo em arte. Quando a mulher levanta a tampa da mala que está sobre a mesa, a vida pula. Cada peça traz consigo uma história inacabada. Aos poucos outros panos vão sendo colocados à mesa; cada um carregando consigo historias, estórias, lembranças. A infância volta na saia azul marinho cheia de pregas e no aventalzinho xadrez vermelho e branco das aulas de pintura do jardim de infância. Traz consigo um AHH!!Eu também tinha! Este estava no fundo do armário da mãe, dentro da mochila do primeiro dia de escola. Memória dela…  e a tua? Pequenos vestidos de organza com fitas e bordados, joias em pano que resistiram à ação do tempo: nosso primeiro aniversario. Mulheres diferentes, histórias parecidas. A mesa é invadida por toalhas bordadas, com rendas e crochês. Todas brancas. Eram da avó. ”Morávamos em torno da mesma praça, mas só nos aproximamos quase na hora de sua morte, fiquei com as toalhas e preciso trazê-las para a minha parede”. Estamos todas tão emocionadas quanto esta neta saudosa do amor que não viveu. Neste momento surge um chambre de pele de pêssego cujo toque passou pela avó, pela tia, pela mãe e agora na mão da mulher – artista. Terá sua estampa de flores recortada criando uma renda vazada. As flores serão aplicadas em uma manta de tule, tecido importante que nos devolve desde o mosquiteiro do berço ao véu do casamento que já deu frutos: mulheres que já tem suas próprias historias e panos. Envolvidas nestes tecidos cheios de alma vivemos uma semana. E, quando fomos nos despedir, percebemos que eles tinham se transformado. A camisola de cetim e renda que precisa permanecer por perto recebeu costuras e bordados onde o tempo estava agindo e machucando, a saia plissada de bela estampa ficou com o avesso cheio de panos dos amores que literalmente precisam ficar tão perto que é quase dentro. A caixa que veio trazendo lembranças que atravessaram a vida teve seus ‘panos’ ligados por um fio de pérolas, garantia de que sua história mesmo depois de contada (pois podemos puxá-la para fora da caixa) continua sendo a sua história. O pequeno avental xadrez resgatado do armário da mãe atravessou o tempo, e acabamos vendo o sutiã que amamentou a filha,  transformado em objeto artístico, assim como a lingerie impecável que fora presente da ex-sogra. O tricô da mãe virou livro, o travesseiro do pai, um bebe, a toalha do altar se transformou em flores que andam agora com algumas de nós. O farelo de pano que no inicio da história foi oferecido para todas as outras, agora está contido por uma suave grade prateada e macia, bem como a mãe, que solta, mas está sempre por perto.A blusa delicada e o veludo vermelho se uniram,um envolveu o outro num envelope que se abre e nos revela que seu bordado permaneceu intacto, e para selar, um laço de fita. Bem, falta a mala de histórias inacabadas… Surpresa!Temos finalmente, uma linda almofada!   E nós?Bem; emocionadas, unidas e agora, amigas..  

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