a pele que se solta

agosto 11, 2014

Pele que se solta
Dor – feminino – religioso – barroco

A imagem da cobra nadando no rio e esfregando o corpo varias vezes na pedra da margem para que a pele se solte.
Afinal o corpo cresceu e aquela roupa não serve mais – edicse – dói.
De repente, papéis brancos, finos, leves, sensíveis, amassados recebem um ‘reforço químico’ de verniz acrílico para que suportem os passos que vem a seguir. Coisas de mulher. Trazem um pouco da bagagem de muitas. São imagens há tempos guardadas, pedaços de vestidos que um dia foram importantes para a amiga, rendas, tules, lantejoulas e rosas de pano vermelhas, tudo elementos que simbolizam a nossa necessidade feminina de, de vez em quando, ‘trocar de pele’, fazer vir à tona a que está por baixo, mais perto do dentro.

O papel enruga, rasga, amassa, reage, não aceita. Recebe mais papel, mais pano, mais imagem, mais tinta, mais vida, mais brilho, dourados, vermelhos, enfim, se solta, como a pele da cobra.
E olho. Arrepio. Está quase barroco, religioso.
A existência é cheia de pedras pelo caminho. Servirão de asperezas a serem esfregadas para que a pele se solte e nos deixe crescer.
A arte, de novo cumpre o seu papel de materializar um universo individual, porém universal.

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